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A 10 anos de 2008 . Quando será a proxima bolha?

Publicado em 14/09/2018




A 10 ANOS DE 2008. QUANDO SERÁ A PRÓXIMA BOLHA?

Logo que subiu, o Donald Trump fez calar muita gente. Se tivesse sido a Hillary, nos ainda estaríamos vendo os misseis da Coreia do Norte apontando cada vez mais perto da Europa, e a economia norte americana estaria no bambolê do Obama.

Outro dia o Trump publicou um twit bastante incisivo, mostrando o crescimento de 4,2% da economia no seu governo com o seguinte texto: "O Obama disse que para eu fazer crescer a economia 4% ia precisar de uma varinha mágica. Pois bem, eu tenho uma varinha mágica, e as coisas ainda ficarão melhores".

A pesar do primeiro mundo estar andando bem, tem alguns sinais que a gente não pode deixar escapar. Estes sinais costumam ser fracos, mas a experiência mostra que é bom ficar de olho. Lembro em agosto 2008, um parente que morava nos EEUU me disse "minha filha está ganhando bom dinheiro com vendas imobiliárias, alias tem muita gente trabalhando nisto". Eu achei estranho, pois a filha dele tinha se formado em enfermagem, mas parabenizei ele sem entender muito bem. Dois meses depois, o mercado imobiliário nos EEUU desabou e veio o crash de 2008.



Depois deste desastre, o governo Bush chamou os maiores bancos americanos para uma reunião na Casa Branca e avisou a eles que tinham duas alternativas, ou se ferravam os EEUU, ou se ferrava o mundo. Eles decidiram que o melhor era que o mundo se lasque. Então liberaram a máquina de imprimir dólares, inundando o mercado com trilhões de papeis pintados com a cara do Washington e do Lincoln. O dólar desabou nos anos seguintes com taxas de zero porcento. Até a Dilma chegou a reclamar do dólar barato.

Os profetas das bolhas econômicas são comuns e estão sempre alertando a gente, igual aqueles que ficam nas esquinas alertando a chegada do juízo final. Este caso não é diferente, é um alerta, mas sem data marcada. Se alguém pergunta a um astrônomo sobre um grande asteroide cair na Terra, a sua resposta será "a pergunta não é SE, mas QUANDO..., porque que ele vai vir algum dia, com certeza". Pode demorar milhões de anos, mas ele virá como os anteriores.

O mesmo acontece com as crises financeiras, elas sempre estarão ali, não importando quais medidas e contramedidas os governos e os economistas tomem para evita-las. Os mercados financeiros são processos caóticos sobre os quais ninguém tem controle, tem sua própria dinâmica e suas próprias leis, que estão além do alcance humano.

Muita gente compara estes processos complexos com a agua. A agua é formada por trilhões de moléculas que se movem batendo umas com as outras, mas cada molécula não tem noção do que seja por exemplo "uma onda", já que esta é uma propriedade da agua como um todo e não de cada molécula. Por mais que queiram, as moléculas não podem controlar as "ondas" pois fogem ao seu domínio.

Nos somos como as moléculas tentando controlas as "ondas" nos mercados financeiros, o que resulta impossível. Tão impossível, que a cada certo tempo aparece uma.

Um primeiro "sinal" de que algo não está funcionando bem, apareceu para mim na forma dum "twit" num importante jornal financeiro no Paraguai (sim, lá tem importantes jornais financeiros TAMBÉM). Eles escreveram em letras enormes para impressionar os leitores "O PIB do Paraguai é apenas 1/3 do valor da APPLE". No dia anterior, a Apple dos iPhones tinha chegado à marca dos "1 trilhão de dólares" nas bolsas de valores. Claro, isto impressionou muita gente, mas o notável aqui é que estes valores são tão absurdos, que conseguiam estontear mesmo pessoas da área econômica.

Imediatamente corrigi o Twitter do jornal, avisando eles que Apple na realidade valia TRINTA VEZES o PIB do Paraguai, e não apenas TRES VEZES. Eles logo apagaram o tuit sem ao menos me agradecer, mas a lição ficou para mim na forma de "...este assunto está tão fora de orbita que ninguém mais tem noção dos valores a que chegaram as empresas vendedoras de quinquilharias". Quando gente "informada" começa a perder a noção de valores, significa que está na hora de se preocupar.

É bom esclarecer que no mundo anglo-saxão (e também no Brasil), os nomes "bilhão" e "trilhão" tem significados diferentes. No Brasil e EEUU o pessoal conta um milhão, dois milhões... até chegar a MIL milhões, e depois vira "um bilhão". Na Espanha ou no Paraguai, o pessoal conta um milhão, dois ..três milhões até chegar a MIL milhões, e continua DOIS MIL milhões, TRES mil milhões... até chegar a "um milhão de milhões", e somente ali se converte em "um bilhão".

De qualquer forma, o valor "1 trilhão" no Brasil ou "1 bilhão" no Paraguai, expressado em forma matemática, é "um seguido de doze zeros". Então o valor da Apple chegou a 1.000.000.000.000 dólares sem medo de errar.

Para ajudar a entender este números, vamos comparar com o produto interno bruto (PIB) de alguns países, fazendo que a APPLE tenha o valor de "uma maçã = 1 trilhão de dólares" (dados são da Wikipedia)

O PIB do Brasil é $ 2.14 TRI (2,14 trilhões de dólares)
O PIB da Argentina é $ 626 BI (626 bilhões de dólares)
o PIB do Paraguai é $32,29 BI (32 bilhões de dólares)

Da para ver então que um Brasil vale "2,14 maçãs", uma Argentina vale "0,626 maçãs" e um Paraguai "0,03 maçãs". Isto mesmo, o coitado do Paraguai, com todo seu milagre econômico tão farofado nos últimos anos, vale só 3% do valor da Apple..

Continuando com esta espiral, semana passada a empresa AMAZON, outra vendedora de quinquilharias, alcançou também a marca dos "1 trilhão de dólares", e os que seguem na lista prontos para chegar lá são a Microsoft e Alphabet (empresa que controla o Google), ambas muito perto dos 1 trilhão na cotação das bolsas de valores. Um pouco mais abaixo está Facebook. Se quer uma explicação mais completa pode ver este link (em ingles).

Pode se dizer sem medo de errar que "um Brasil vale menos que 1 Apple + 1 Amazon + 1 Facebook". Isto mesmo, o gigante inteiro dormido em berço esplêndido vale menos que três empresas americanas vendedoras de vento. E não devemos esquecer que logo abaixo vem a galope outras mais como bancos, atacadistas ou corretoras que já passaram as casa dos 500 bilhões de dólares e se aproximam do valor de "uma maçã".

Estes valores não são o que as empresas "tem" como patrimônio (terrenos, funcionários, estoque...), mas o que o pessoal das bolsas de valores "acham" que elas valem, e que se reflete no valor das suas ações. Entre o que uma empresa "tem" e o que "o mercado" acha que vale", existe um enorme abismo de incertezas, e é neste abismo que às vezes a gente tropeça, esbarra, cai, tromba, morre e fica todo esfrangalhado.

Mas o que pode detonar esta bolha algum dia?

Um fato que pode ajudar a entender o processo é no que algumas empresas de tecnologia baseiam seu valor, e onde pode estar a sua fraqueza.

Pense uma empresa como a Coca Cola. Faz 130 anos que a Coca Cola produz exatamente a mesma coisa, não precisa inventar nada para provar seu valor. É só um liquido adocicado para beber. O pessoal gosta e vai continuar bebendo até o fim dos tempos. Firme e seguro, sem estresse, ou como diria o Patropí "sem crise meu".

Agora pense numa empresa tipo a Apple. Ela não vende produtos, vende IDEIAS, NOVIDADES e burburinhos. Se ela não consegue novidades para o próximo ano, vai desabar. Se os clientes não gostam das novidades, vai desabar. É igual uma bicicleta que precisa correr continuamente para não cair.

Uma empresa que vende celulares precisa inventar alguma quinquilharia a mais nos aparelhos a cada ano para conseguir cobrar os 1500 dólares do publico. Se não é uma câmera de 300 megapixels, tem que colocar um identificador facial, uma tela orgânica, um feixe laser, um tele transportador quântico, ALGUMA COISA que salve a vida dela no próximo ano. Isto é estressante, custa muito suor e esforço e ainda tem que competir com outros gigantes tipo Samsung, que querem exatamente a mesma coisa.

Sempre vai ser assim, até que um dia não consigam inventar mais nada atrativo. Então "kaput". Uma empresa que vale 1 trilhão de dólares desabando, pode crer que vai levar muita gente junto pelo ralo. Logo outras empresas como Amazon, Facebook etc., também seguirão o mesmo caminho, e com elas toda a poupança de centenas de milhões de americanos. Em pouco tempo o mundo inteiro vai sentir os efeitos de esta onda, e como sempre, quem mais vai sofrer serão os pobres como nos.

Ainda que a ameaça da "criatividade anual" fosse pouco, vou contar que outro dia fui numa loja do Paraguai e comprei um bom celular BLU com tudo que tem direito, por apenas 50 dólares. Logo fiquei pensando "por que as pessoas gastam 1000 ou 1500 dólares por um celular top de linha?". Deve ser pelo status (status e preço é outro assunto que algum dia vamos comentar).

E o que vai acontecer quando as fabricas chinesas comecem a inundar o mercado com celulares tão bons ou melhores que os da Apple ou Samsung por uma fração do seu preço? Esta é a outra agulha que pode estourar a bolha. E estes celulares chineses como Huawei, Oppo ou Xiaomi estão ali na porta de entrada, chegando mais e mais tipo tsunamis batendo no muro de contenção.

Mas enfim, o negocio é que tem algo muito grande ali precariamente equilibrado. Quando você vê algo tipo um elefante parado num só pé numa cadeira, logo pensa "se isso cair vai causar baita estrago". Pois é, mais ou menos isto que estou vendo no horizonte nos últimos meses.



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