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BITCOINS - tudo que voce queria saber e tinha medo de perguntar

Publicado em 09/12/2017




BITCOIN E CRIPTOMOEDAS - MIRAGEM OU REALIDADE?

Ultimamente, o Bitcoin e outras moedas virtuais voltaram a saltar no tapete por causa dos valores siderais que alcançaram no mercado. A primeira transação usando bitcoins foi realizada em maio de 2010; alguém comprou 2 (duas) pizzas e pagou 10 mil bitcoins por elas. Agora que o bitcoin arranha os 15.000 dólares, as duas pizzas custariam perto de 150 milhões de dólares, algo que somente Bill Gates poderia engolir sem ter dor de barriga.


Evidente que, ao ler estas manchetes, a primeira coisa que a gente pensa é "vou comprar bitcoins, ficar rico e viver sem trabalhar". Mas calma, é bom primeiro pensar um pouco sobre o que vai fazer.

O VALOR DAS COISAS

Primeiro temos que responder à seguinte pergunta: por que a gente da valor a coisas que não servem para nada?. Dar valor a um carro, uma casa ou um trator a gente sabe o motivo, são coisas úteis, nos facilitam a vida, alguém gastou muito tempo e dinheiro para construi-los, e por tanto merecem ser retribuídos.

Mas então, por que alguém pagou 450 milhões de dólares por um quadro de Da Vinci? para que serve o quadro?. Uma boa copia fotográfica do quadro fica igual de bonita na sala e custa só 5 dólares. Por que o vizinho pagou 10 milhões de dólares por um anel de diamantes para sua mulher? por que não comprou um anel de arame que custa 10 centavos e pode cumprir a mesma função no dedo?

Ali a resposta começa a complicar: estes objetos "inúteis" valem porque a) são muitos escassos (por não dizer únicos) b) não podem ser facilmente duplicados ou falsificados, c) não se degradam com o tempo, e d) porque as pessoas se põem de acordo e dizem "isto vale muito". O item D é muito importante.

Eu pintei um quadro e ninguém quer me pagar mais que 2 reais por ele. Se meu nome fosse "Picasso", o mesmo quadro, talvez até mais feio, custaria digamos uns 100 milhões de dólares. Isto é injusto, visto que meu quadro é mais bonito. Mas fazer o que? gente decidiu que um Picasso é valioso e o meu não é.

Quando a todos estes fatores a) b) c) e d) citados acima ainda se adiciona um quarto fator: e) "ele pode ser facilmente dividido em pequenas partes que mantém seu valor intacto", então o objeto atrai a atenção das pessoas, e por força natural se converte numa "unidade de medida do valor das coisas". O ouro, a prata e os diamantes por exemplo tem esta última característica, eles podem ser cortados em pequenos pedaços, e cada pedaço continua valendo proporcionalmente igual.

Por esse motivo, os "metais preciosos" se converteram em forma natural nas primeiras unidades monetárias da historia.

O papel moeda (vulgarmente nosso dinheiro) tem valor porque inicialmente ele representava o ouro depositado nos bancos, da mesma forma que o cheque é um pedaço de papel que representa o dinheiro que voce tem no banco. Com o tempo, países como Estados Unidos deixaram o "padrão ouro" e passaram a emitir papel moeda baseado não no ouro que tinham estocado, mas na quantidade de bens e serviços que país consegue produzir anualmente.

Em países tradicionalmente esbanjadores e perdulários como o Brasil, o papel moeda era impresso não baseado no ouro do BC nem na produção anual, senão quando os políticos precisavam "da grana" rápido e já, o que levou a épocas de terrível inflação. É o famoso "jeitinho brasileiro" espertalhão que no fim das contas nunca funcionou.

AS PIRÂMIDES FINANCEIRAS

Agora vamos falar dos métodos miraculosos que permitem a todos ser milionários sem precisar fazer esforço. As pirâmides são um invento extraordinário, você envia 10 Reais para a pessoa que está no topo e adiciona seu nome numa lista de digamos 8 pessoas, faz 2 copias e distribui a 2 amigos sortudos. Cada pessoa faz a mesma coisa, coloca seu nome na lista tira o ultimo nome e faz duas copias. Em pouco tempo a pessoa que esta no topo tem seu nome em 512 listas e recebe misteriosamente 5120 reais vindos não se sabe de onde.... e isto acontece com TODO MUNDO ! . É um verdadeiro milagre bíblico da multiplicação do dinheiro.

Mas por que todo mundo não está fazendo isto o tempo todo, em lugar de ir trabalhar nas fabricas e roças do mundo?. Ou o pessoal é muito burro, ou tem mutreta nesta historia.

Tem mutreta sim, e a verdade mais simples é que ALGUÉM tem que trabalhar para que as coisas funcionem no planeta Terra. Se ninguém trabalhar, quem é que vai pavimentar as rodovias, limpar os banheiros e preparar o almoço?. A resposta mais complicada é: as listas crescem exponencialmente, em pouco tempo elas pegam toda a população disponível.

Em outras palavras, em pouco tempo não temos mais "amigos" a quem enfiar as novas copias. Apenas 32 vezes basta duplicar as listas para seu numero alcance 7 bilhões, a quantidade de habitantes da Terra. Ao chegar neste ponto, os milhões de peixinhos que entraram por último acabam pagando aos poucos tubarões que entraram primeiro, e que enchem os bolsos de grana.

AS BOLSAS DE VALORES

As bolsas de valores foram inventadas para capitalizar as empresas, um objetivo nobre e altruísta como é nobre e altruísta o motivo da criação das moedas virtuais.

Você tem uma empresa e acha que vai dar lucro, mas não tem a grana para tocar e não quer emprestar do banco. O que faz? diz para o pessoal "Escutem, preciso de 1000 reais, estou vendendo 1000 pedacinhos de papel que valem 1 real cada, quem comprar vai ter direito a 1 milésimo do futuro lucro da empresa". Cada pedaço de papel recebe o nome de "ação", e a ideia funciona muito bem. Ninguém se estressa, todo mundo é responsável e sabe que se a empresa vai bem irá ganhar, e se vai mal, irá perder dinheiro. Tudo na moral. Mas...... (sempre tem um "mas")

Em pouco tempo as pessoas percebem que podem trocar estas ações, porque tem gente que acha que a empresa vai dar muito mais (ou menos) lucro do que o previsto. Assim alguém pode chegar e dizer "olha vc pagou 1 real, eu te ofereço 3 pelo teu pedacinho de papel", e ali surgem as bolsas de valores para comprar e vender as ações. Agora, um objetivo que inicialmente era nobre e altruísta, se converteu num mero ato de especulação. As ações começam a não ter mais o valor associado á rentabilidade da empresa, mas ao que os boatos dizem, ou ao que especialistas acham, fatores alheios ao objetivo inicial da sua criação.

Ainda mais, alguém teve a brilhante ideia de criar "opções" , que são nada mais que promessas de compra ou venda de ações em determinado prazo de tempo com valores prefixados. Se uma ação ja é um "papel sobre papel" (lembre que 1 real é apenas um papel), agora as opções são "papel sobre papel sobre papel", e começa a surgir assim uma estrutura financeira que ronda a teoria do caos, onde a vontade de prever o futuro e se prevenir do acaso, faz oscilar os preços perigosamente num vai-vem que as vezes desmorona e deixa milhões de pessoas a ver navios.

No fim das contas, um processo nobre e altruísta ficou convertido numa vulgar pirâmide financeira como a que vimos acima. Poucos tubarões que sabem as informações privilegiadas são os que ganham fortunas às custas de milhões de peixinhos que entram na corrente a cada certo tempo. Estes "tubarões" são os políticos (e amigos) que sabem as medidas que irão ser tomadas pelo governo, ou grandes empresários que sabem antecipadamente o que irão fazer na sua empresa e contam para seu genro ou sua sobrinha na hora do jantar. São eles os únicos que lucram a longo prazo, igual que na roleta, onde a banca é a única que lucra no longo prazo.

A cada certo tempo (provavelmente alguns anos), quando todo mundo perdeu até as tripas e as bolsas andam ás moscas com o preço das ações pelo chão, os tubarões compram novamente o que podem, e logo começam a aparecer belos artigos nos jornais financeiros contando a historia de Zezinho, que ficou rico na bolsa, Mariazinha ensinando a investir na bolsa, ou analistas "espertos" que mostram que o próximo ano vai ser um "boom" total. Com estas finas rédeas começam a arrebanhar a nova geração de peixinhos que irão dar de comer aos tubarões até próximo desastre. É o controle esperto da informação.

ENTRA O BITCOIN



Agora que vc. já viu como funcionam os truques financeiros, percebe que as moedas virtuais (como o Bitcoin) não estão livres de perigo. Não adianta ter apenas uma "boa intenção" e fazer uma moeda perfeita, como é o caso do misterioso Satoshi Nakamoto quando criou o conceito matemático.

O desejo do ser humano em prever o futuro, tentar ludibriar o destino e se proteger contra o que for que seja, vai levar as moedas virtuais ao mesmo processo caótico de outras formas de investimento de risco, como por exemplo as bolsas de valores.

Ainda com um agravante: ninguém pode controlar o que acontece ali. Se a bolsa de valores cair 10%, tem uma norma que manda parar o pregão para tentar apaziguar o rebanho. Se uma moeda virtual cair 3000 por cento em 10 minutos, absolutamente ninguém pode fazer nada ao respeito.

Mas o que é o Bitcoin ao final das contas?. Se você lembra as condições (A,B,C,D , E) que nos comentamos acima para que um objeto seja considerado unidade de medida de valores (como o ouro ou diamantes), então as moedas virtuais tem todos eles e de sobra. Eles são eternos, não podem ser falsificados, podem ser divididos em pedaços sem perder o valor, e o mais importante, as pessoas dizem "isto é valioso". O Bitcoin vale apenas e somente porque as pessoas acham que ele é valioso, não serve para mais nada.

É exatamente igual que se o Louvre cortasse o quadro da Monalisa (que vale digamos 100 milhões de dólares) em 100 milhões de pedacinhos e vendesse a 1 dólar por pedaço. Em pouco tempo as pessoas estariam comprando e vendendo estes pedaços da Monalisa entre eles, fazendo oscilar seu preço.... até onde? só Deus sabe. Isto forma parte da natureza humana, e não tem como evitar nem controlar. É um processo caótico.

O Bitcoin (e as outras moedas virtuais) são apenas formulas matemáticas complexas que criptografam um enorme livro contábil. Neste livro está registrado que Zezinho comprou de Juquinha 3 bitcoins em 10 de janeiro , e assim todas as outras trilhões de transações realizadas. Este livro contábil é quebrado em milhões de pedaços (chamados de "blocos") que estão amarrados por códigos especiais (cadeias de blocos, ou "blockchains" em inglês), e são distribuídos a uma rede de milhares de computadores ao redor do mundo.

Estes computadores se encarregam de criptografar, decifrar e verificar que a máquina do lado está fazendo exatamente a mesma coisa com cada bloco. A isto se chama "mineração". Ninguém tem o poder de interferir nestas milhões de maquinas espalhadas pelo mundo, nem os EEUU nem a China nem a NASA nem o Google.



Mas o que é o Bitcoin que o Zezinho comprou de Juquinha? se pode comer?, tem cheiro? qual sua cor? .

É absolutamente nada. Nada de nada de nada. É como se eu vender a minha irmã "uma merreca" e ela topar, depois ela vende esta "merreca" para sua amiguinha, e assim em pouco tempo todos os meninos do jardim de infância estão brincando de comprar e vender "merrecas" sem saber o que é.

Exatamente assim é o Bitcoin, um objeto virtual que apenas tem o nome e mais nada, o qual as pessoas acham (agora) que é valioso e ficam comprando e vendendo como possessos pela internet. Ex-a-ta-men-te como num grande jardim de infância.

A vantagem teórica é que este objeto não pode ser controlado por "governos malignos e conspiratórios", mas que tem seu calcanhar de Aquiles no controle da informação, vulgarmente conhecida como "boato". Grandes países detentores de Bitcoins, como China ou EEUU, podem lançar noticias favoráveis ou desfavoráveis ao Bitcoin, fazendo oscilar bruscamente seu preço, comprando e vendendo nas oscilações da maré.

Ou seja, grandes tubarões não podem controlar as máquinas nem as formulas matemáticas, mas podem controlar os boatos, que é o que mantém o Bitcoin oscilando.

O QUE VAI ACONTECER NO FUTURO?

Seja uma benza ou uma maldição, as moedas virtuais vieram para ficar, e logo vão surgir muitas mais. Sua invenção significa uma mudança completa nos conceitos de dinheiro, valor e investimentos.

Igual que acontece com as bolsas de valores, vai haver uma "bolsa de criptomoedas" pelo mundo, onde elas vão competir umas contra outras oscilando de forma caótica mais ou menos como oscilam as bolsas de valores.

Gente que acha já ganhou muito com o Bitcoin e vê mais promissor entrar no IOTA ou no ETHEREUM, vai vender seus Bitcoins e comprar as outras e vice-versa. Isto vai acontecer milhões de vezes por dia, nivelando os preços pouco a pouco ao longo dos meses e anos, mais ou menos como acontece com o nível da agua.

Eu não acredito que o Bitcoin vai subir aos 100 mil ou 500 mil dólares como dizem os adivinhos. Muito antes disso vai ser brecado pelas outras moedas que estão surgindo, quando os grandes investidores saiam do caríssimo Bitcoin para comprar as outras a preço de banana. E em algum momento o Bitcoin vai recuperar o juízo e ficar oscilando em níveis razoáveis, entre 100 e 1000 dólares talvez.

Evidente que o fator psicológico sempre vai influir nos preços. Por exemplo ninguém vai investir no "Petro" do Nicolas Maduro simplesmente porque ninguém acredita nele, e as moedas que consumam menos energia para "mineirar" irão se sobrepor às outras. Tudo isto vai ser objeto de manipulação e especulação nos próximos anos.

Por tanto, se você está pensando entrar neste mundo turbulento das moedas virtuais, pelo menos agora ja sabe o que esperar.

Um texto de "Compras no Paraguai"


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